Minha primeira mensagem não será sobre uma viagem. Vou falar um pouco de mim, um pouco do que gosto e do que quero e porque criei este blog.
Nasci e cresci numa cidade do interior de Minas Gerais, chamada Mantena. Talvez por ser um lugar pequeno, sem grandes oportunidades, desde criança sempre quis ir-me embora de lá. Aos 19 anos a vida me apresentou uma oportunidade de vir para Portugal, infelizmente, não para fazer turismo, mas para trabalhar por uma vida diferente da que eu teria se ficasse no Brasil. Eu não tinha necessidade de sair do Brasil para trabalhar, eu podia ter escolhido fazer uma boa faculdade e quem sabe o que seria de mim hoje! Mas aquele bichinho de sair da minha terra falou mais alto e eu me aventurei.
Melhor? Acho que nunca vou descobrir... meus pai é professor aposentado, minha mãe trabalhou pouco tempo fora, foi mãe a tempo inteiro até os 3 filhos terem autonomia para estarem sozinhos em casa. Sempre tivemos uma vida confortável, nunca nos faltou nada e meus pais tentaram nos dar o bom e o melhor, dentro das suas possibilidades. Mas apesar disto, nunca fomos uma família que viajava. Quase todas as férias eram passadas em casa, aproveitando o verão na piscina do clube que éramos sócios. De vez em quando, talvez de 3 em 3 anos, íamos passar 15 dias na praia, com uma família amiga. As maiores viagens que fiz dentro do Brasil foram com a igreja, participando em congressos e o mais longe que fui foi a Juiz de Fora, no nariz de Minas. Não me queixo, não reclamo, eu tive uma vida boa e seria muito ingrato reclamar; meu pai tinha suas prioridades. Mas meu sonho era fazer como minhas amigas, viajar todas as férias, voltar cheia de histórias para contar...
O sonho de viajar, conhecer outros lugares junto com a minha vontade de sair da minha terra deu nisto: vivo em Portugal há quase 20 anos...
Mas não foi bem a realização do meu sonho. Os primeiros anos foram duros e a saudade da família sempre falou mais alto do que a vontade de conhecer o mundo. Então todas as férias, tudo que amealhava era para pagar uma viagem ao Brasil, de 2 em 2 anos para ver a família. Depois casei-me e além de amealhar para ver a família, amealhávamos para comprar uma casa (compramos um apartamento) e o sonho de viajar foi ficando para segundo, terceiro, último plano. Fizemos uma única viagem, depois de 7 anos juntos, para a Madeira, a minha primeira viagem como turista, num hotel, durante uma semana; eu já com 32 anos...
Com a crise na Europa e a tão falada melhoria da economia do Brasil, aventurei-me a voltar, quem sabe meu futuro afinal era lá? Só que não... apesar de ter ido para uma cidade maior, mais desenvolvida, as oportunidades eram escassas e ao contrário do que me disseram, a minha (nossa) experiência no exterior valia zero. Cansados, retornamos para Portugal e as coisas começaram a melhorar para nós. Mas ao invés de viajarmos, optamos por termos um filho, que só conseguimos depois de dois anos e meio de exames de diagnóstico e quase fazendo uma FIV. Daí a vida continua, o orçamento com um filho é mais apertado e vamos levando, amealhando para ver a família apenas.
Até que, por um golpe de sorte, milagre, intervenção divina, não sei, apareceu-me uma oportunidade de emprego e nossa vida começaria a mudar. Logo na primeira oportunidade fomos passar um final de semana no Carvoeiro, é perto, foi barato, mas foi o início. Após 6 meses neste emprego fui chamada para a empresa onde estava antes, com melhores condições e apesar dos receios do meu marido, daquela coisa de amealhar para comprar a casa de sonho (uma vivenda), tivemos a oportunidade de ir mais longe e fomos a Punta Cana.
Ah! Pensei eu: isso que é vida! Meu sonho começa a realizar-se! Tomei-lhe o gosto. Fui convidada a trabalhar com outra empresa, onde estou hoje e posso dizer que sou uma pessoa realizada, profissionalmente e de sonhos. Consigo ir ver a família no Brasil e consigo fazer férias com meu marido e minha filha...
E justamente porque é um sonho realizado que resolvi partilhar as nossas viagens. Como eu realizei, tenho certeza que muitas pessoas poderão fazê-lo.
Uma dica: o medo de gastar o dinheiro que poderá ser utilizado em outra coisa é um empecilho. Dinheiro a gente trabalha e arranja mais, mas o tempo passa e não volta. As experiências, os momentos são tudo que a gente leva desta vida... temos que repensar o que nos faz feliz!